22 de julho de 2008
Apresentando o conceito dos mobs
Neste artigo compartilharemos conceitos e idéias que surgiram no decorrer do desenvolvimento do mobbbi. É indicado para desenvolvedores, profissionais criativos, empreendedores e entusiastas de serviços que visam agregar valor social às novas possibilidades proporcionadas pela tecnologia móvel.
À medida que as idéias amadureceram, percebemos, eu e o Narciso, que os mobs poderiam ser muito mais que um conceito proprietário do mobbbi. Compartilhamos este conceito porque acreditamos que os mobs podem gerar uma nova gama de idéias e serviços sociais focados na mobilidade.
O que é um mob?
Um mob é uma informação que pode ser criada, armazenada, manipulada, colecionada e compartilhada pela sociedade, fazendo uso dos benefícios da mobilidade. Cada mob representa uma porção de informação transportada ou acessada via dispositivos móveis, e que possui valor e utilidade sociais. Sendo assim, nada impede que um mob seja criado, por exemplo, através de um computador. Porém, o mob só fará sentido se a pessoa puder aproveitar a mesma informação também através do seu celular e, ainda, puder compartilhar esta informação socialmente, se assim desejar.
Para clarear, citarei uma aplicação real e já em andamento do conceito. O mobbbi é um serviço em desenvolvimento focado na mobilidade e que está, neste exato momento, em fase alfa e ainda restrito a um número limitado de pessoas. É um guia da boa vida construído em cima do conceito aqui proposto. No mobbbi cada mob representa um pedaço de boa vida que pode ser criado, avaliado e compartilhado socialmente. Uma receita de caipirinha, por exemplo, é um mob pois carrega consigo a descrição dos ingredientes e o modo de preparo. Uma pessoa que aprecia esta bebida pode levar suas receitas de caipirinha e suas variações preferidas “no bolso”, ou seja, pode acessá-las através do seu celular. A informação, que antes ficaria restrita a um computador, poderá agora ser aproveitada em situações onde existe maior potencial para serem aproveitadas, como uma festa, uma reunião de amigos e todas as demais situações onde um notebook ou um computador desktop seria inconveniente ou inacessível.
Mobs são colecionáveis e estimulam a interação social através do compartilhamento de informações. A mesma pessoa hipotética acima poderia numa festa, por exemplo, usar seus mobs para preparar bebidas, compartilhar suas receitas preferidas (ou mobs favoritos) com amigos, ganhar novas receitas e assim por diante, estreitando relações e explorando afinidades pessoais através dos benefícios da tecnologia móvel.
O exemplo citado aqui é, naturalmente, apenas uma visão limitada das inúmeras possibilidades. O potencial social dos mobs é gigantesco.
Qual a diferença dos mobs para outros tipos de informação estruturada, tais como emails, torrents, wikis e blogs, entre outros? A resposta está no compartilhamento de informações baseado no contexto e nos benefícios da mobilidade.
Boas idéias nunca faltam
O conceito dos mobs é amplo, flexível e dá abertura à criação e adequação de uma infinidade de serviços e produtos. Para exemplificar, vou citar três idéias aleatórias de possíveis serviços, acompanhadas de uma breve sugestão de como aplicar o conceito:
- Jogos do tipo RPG, focados em ambientes sociais, onde mobs são equivalentes às cartas tradicionais;
- Um serviço de entretenimento onde mobs são piadas. As pessoas podem criar, colecionar e avaliar as piadas dos demais, gerando pontos para eleição das melhores de todos os tempos;
- Serviço voltado para fotógrafos e naturalistas amadores onde mobs são as espécies de pássaros. Nesse caso o conteúdo do mob pode ser a descrição de comportamento, imagens e sons ilustrativos, áreas de ocorrência etc. Os usuários podem compartilhar mobs já fotografados ou observados de maneira organizada;
Este é só o início de uma lista incontável de possibilidades. Escolha um tema qualquer (esportes, entretenimento, educação, religião…) e rapidamente surgirão idéias onde o conceito dos mobs se aplica. E isso tem fácil explicação: quando falamos em mobs estamos apenas adequando a informação de uma maneira que permita que ela seja trocada e manipulada facilmente no contexto da mobilidade. Sendo assim, as possibilidades envolvendo mobs não abrangem apenas as novas idéias, produtos e serviços. As pessoas, grupos ou empresas que já possuem um serviço ou uma idéia em andamento podem aproveitar o conceito, reciclando o modo como suas informações ou produtos são veiculados para estender seu alcance ao universo móvel através dos mobs.
Padrões existem para facilitar as coisas: uma solução simples para um problema complexo
Não é de se espantar que o SMS seja um grande sucesso. Afinal de contas, pouco importam a marca do celular e qual operadora a pessoa está usando do outro lado. Tudo o que o usuário quer é que sua mensagem chegue ao destino de maneira eficaz. Idem para as chamadas de voz.
Já o mesmo não se pode dizer sobre outras funcionalidades que vão além da voz e das mensagens de texto. A falta de adoção de padrões entre os fabricantes não facilita a vida dos desenvolvedores e, muito menos, dos seus usuários. O que era para ser um celular cool acaba se transformando, quase sempre, em desperdício de dinheiro e de recursos, já que geralmente seu celular cool não conversa com o celular cool dos seus amigos. Apenas alguns de nós somos desenvolvedores, mas todos somos usuários, e convenhamos: usuários detestam incompatibilidades. E têm toda a razão. Se cada vez que eu comprasse um filme ele viesse num padrão de disco diferente, fatalmente eu desistiria de comprar outros filmes.
Com os mobs não deve ser diferente. Discutir a melhor linguagem ou tecnologia para a implementação de serviços e querer que todos os desenvolvedores e iniciativas a usem parece ser uma péssima idéia. Para o usuário, então, este tipo de questão importa menos ainda. O importante é que o mob em si, e não a tecnologia por trás do serviço, seja importado/exportado de acordo com um padrão e sem demandar esforço significativo por parte do usuário. Meu aplicativo pode estar escrito em Ruby on Rails, o seu em PHP e o dele em Java. Mas na hora de trocar mobs, todos falam a mesma língua. O usuário sente-se bem com a facilidade de uso e todos saem ganhando. Não há segredos sobre a eficácia dos padrões.
Nomenclatura
O termo mob foi escolhido para definir o conceito aqui proposto por tratar-se de uma abreviação de termos relacionados bastante relevantes: mobilidade, mobile, mobility. Outra possibilidade é que simultâneamente represente uma sigla. Uma possível sugestão, ainda não conclusiva, mas que parece razoável para definição de um padrão de troca de mobs é: mobile object badge (crachá de objeto móvel).
Na Wikipedia, encontramos definições diversas do termo “mob”, mas no instante da publicação deste artigo, nenhum deles fazia alguma referência similar ao conceito aqui proposto. Logo, consideramos válida a nomenclatura.
Conclusão
Neste artigo compartilhamos a essência dos mobs, um conceito extraído da criação do mobbbi, um serviço focado em mobilidade. Os mobs são conceitualmente fortes e têm gigantesco potencial social. Se os mobs foram a solução para nosso serviço, acreditamos que o mesmo conceito poderá ser também aproveitado por muitos outros grupos.
Paralelamente observamos, nos últimos meses, um melhoramento significativo das tecnologias móveis. O cenário, no momento, é bastante animador. O poder do celular e dos dispositivos móveis, em geral, está cada vez mais além da voz e do SMS.
Por fim, faz parte também deste artigo a proposta da criação de um padrão aberto para a troca de mobs. Desejamos que este artigo tenha sido apenas a semente e gostaríamos de ouvir seu feedback nos comentários. Para os próximos passos alguma ferramenta, tal como uma lista de discussão, poderá ser indispensável para continuação do diálogo. Dê sua opinião! Não existem portas fechadas para quem quer contribuir. Se você não programa mas tem familiaridade com a Wikipedia, por exemplo, pode participar criando e mantendo o verbete relacionado ou então traduzindo o verbete para outros idiomas. Se você é designer, pode propor uma assinatura visual ou um selo para o conceito. Ou, ainda, se surgir alguma outra idéia relacionada e não contemplada neste texto, exponha nos comentários. A partir de agora, o conceito dos mobs é da propriedade de todos aqueles que contribuírem para sua construção.

11 respostas para “Apresentando o conceito dos mobs”
Luiz A. Lenhardt
23/07/08 às 9:02 am
Powered by mobs…
A idéia parece ser muito boa.
Sou desenvolvedor para celulares e gostaria de maiores informações sobre a arquitetura dos mobs.
luizlh@gmail.com
Thiago Christof
23/07/08 às 11:44 am
Olá Luiz, obrigado pelo primeiro feedback!
Estamos levantando idéias sobre a arquitetura geral e sugestões a respeito são bem vindas.
Creio que o foco será no processo de importação/exportação dos mobs. Faço até uma analogia com os feeds RSS: não importa o sistema de blog que se use (Wordpress, Typepad, Blogger…), a saída do feed é padronizada. Sendo assim, também não importa qual agregador específico (Google Reader, My Yahoo!…) eu use para ler o feed, obterei as informações de maneira consistente.
Neste primeiro momento, enxergo os aplicativos tendo liberdade para manipularem os mobs como bem entenderem, e padronizando o processo de importação/exportação dos mobs. Será que temos outro caminho melhor?
Wells
23/07/08 às 12:47 pm
Lendo o conceito, proponho que seja feito um xml padronizado. E que ele sirva para troca de informações. Exemplo
23/07/2008
Esportes
O brasil tem 5 titulos mundias de futebo. Sendo eles nos anos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
Fica a sugestão, que pode ser melhorada com outras tags, atributos. etc.
Wells
23/07/08 às 12:50 pm
Acima não saiu as tags de exemplo como eu queria. Foram formatadas retirando os sinas de maior e menor e nome das tags. Há algum lugar onde eu possa postar o exemplo ou enviar para comentários?
Thiago Christof
23/07/08 às 2:07 pm
O exemplo do Wells, com a formatação que ele quis mostrar:
Thiago Christof
23/07/08 às 2:13 pm
Wells, o sistema do blog realmente não facilita muito a postagem de código. Mas deu para pegar sua idéia.
Sua sugestão é pertinente pois também acredito que não precisaremos reinventar a roda para fazer o intercâmbio de mobs. Não sei sobre as limitações do XML neste momento (por exemplo, no caso de um mob que contenha imagens). Vamos nos falando, obrigado pela participação!
Mauro
23/07/08 às 2:25 pm
Continuando o conceito do Wells, com relação às referências à imagens, seria necessário primeiramente manter um padrão do formato do arquivo de imagem. Segundo, é interessante criar referência para o arquivo ao invés de incorporá-lo ao feed. Assim como também os arquivos de audio e video. Nem todos os celulares tocam vídeos ou rodam imagens animadas (alguns nem audio nem imagem), mas seria o caso de atender à este perfil de usuário? Primeiramente necessitamos definir a tecnologia básica para funcionar um Mob. A idéia e o conceito são excelentes. Parabéns aos autores.
Felipe Hummel
27/07/08 às 4:03 pm
Cara, achei interessante a idéia.
Uma forma de padronizar a troca de informações em dispositivos móveis e assim criar serviços em torno dessa padronização.
Acho que vale a pena vocês olharem alguns padrões XML. O Atom que o Google usa, talvez, ou um padrão XML novo, mas creio que o ideal é tentar se basear num já existente.
Abraço!
Thiago Christof
28/07/08 às 12:11 pm
Compartilhando duas dicas interessantes:
- em papo com o Vitor Oliveira ele lembrou da iniciativa DataPortability.org: http://www.dataportability.org/
- o Hummel citou o Protocol Buffers: http://code.google.com/apis/protocolbuffers/docs/overview.html
Vale a pena dar uma olhada em ambas as referências!
João Paulo
5/08/08 às 8:33 pm
Certamente vai dar certo. No pouco tempo em que li sobre o conceito de mob, já pensei um muitos pra fazer e muitos que gostaria de encontrar!
Minha sugestão é, de alguma forma, evitar descaracterização ou perda de personalidade. Guia de boa vida não pode ser inútil nem deprimente. Já chega o que a mídia geral tem apresentado. Tenho certeza de que pode ser muito legal. Parabéns!
Thiago Christof
12/08/08 às 9:56 am
No próxima sábado, 16 de agosto, estarei no Meio Bit-X (www.meiobit.com) para falar sobre o mobbbi e aproveitarei a ocasião para divulgar o conceito dos mobs. Comentarei aqui minhas impressões após o evento!
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